sexta-feira, 14 de abril de 2017

53º Capítulo: “E não quiseste que ele viesse connosco para lhe fazermos um irmão?”

- Eu nem acredito que a Marlene já se foi embora – dizia Milicent, assim que Marco se sentou a seu lado.
- Dentro de um mês ela está de volta. E vem ela, o Erik e o Mario.
- E depois vamos de férias – iriam passar uma semana de férias com Marlene, Mario e Erik em Formentera depois dos anos de Marten e Mario – mas eu já tenho saudades deles! – Milicent colocou-se de joelhos no sofá, passando para o colo de Marco – não tens saudades?
- Um bocadinho… - Marco levou as suas mãos até às costas da namorada – mas a Marlene já estava cheia de saudades do Mario…
- Eu sei. Aqueles dois foram feitos um para o outro.
- Assim como nós.
- Olha que não sei, não – Milicent juntou, por breves segundos, os seus lábios com os de Marco – já pensaste no que falámos sobre o Marten?
- Já. E acho que a tua avó tem razão. Muitos miúdos não tem a oportunidade de passar tempo com os avós e bisavós…e o nosso filho tem essa possibilidade. Os meus pais estão reformados, os teus trabalham a tempo parcial e podem ser horários fáceis de conjugar com os nossos.
- E os meus avós também…
- Temos de convocar uma reunião familiar. Depois das férias e falar com eles sobre isso – Milicent levou as suas mãos ao pescoço de Marco, ficando apenas a olhar para ele – que foi?
- És mesmo giro! – Marco riu-se, descendo as suas mãos até às nádegas de Milicent.
- Se não fosse eu proibia-te de namorares comigo!
- Que convencido!
- Eu só queria que tivesses um namorado à tua altura.
- Oh que querido – bastou um beijo mais quente e demorado para que Marco depressa a deitasse no sofá, percorrendo todo o pescoço da namorada com os seus lábios.
Milicent nunca se sentira tão bem. Nunca se tinha sentido tão desejada por um homem, um homem que é seu há quase dois anos. As mãos de Marco percorreram todo o corpo de Milicent, assim como ela depressa o agarrou para si voltando a beijá-lo. As memórias, no momento de prazer que se seguiu, surgiram na sua cabeça como flashes de luz.
Recordou aquela tarde na casa da piscina. Na véspera do dia do casamento de Marco com Carolin.

- Sim, mas como ninguém é normal no Dortmund, juntaram a despedida de solteiro com o meu aniversário.
- Calma lá! Ninguém é normal no Dortmund? Boa...já percebi que, então, estás só a ter mais uma crise de identidade, não? - Mais uma vez, Milicent e Marco riam os dois ao mesmo tempo. A cumplicidade entre eles começava a notar-se. Marco mantinha-se agarrado a Milicent e, por sua vez, Milicent queria estar mais agarrada a Marco. Ela estava agarrada a ele, mas algo lhe dizia que era possível agarrar-se ainda mais a ele – então...fizeste anos ontem...
- Por acaso fiz...
- E eu que não sabia...parabéns.
- Obrigado – Milicent...sentia-se cada vez mais enfeitiçada por Marco. Aqueles olhos verdes enfeitiçavam os seus castanhos, aqueles lábios faziam os dela tremerem e agiu de impulso. Queria que ele soubesse das vontades dela, que soubesse da vontade louca que tinha de o beijar. E beijou. Beijou e foi correspondida. Aconteceu. Porque os dois queriam.
E, por terem esperado tempo demais para o fazer, foi tudo descontrolado. O beijo em si estava carregado de violência. Não, eles não se queriam bater um ao outro, mas simplesmente queriam mais e muito mais. Aquele era um beijo, mas eles queriam que durasse para sempre. Era o beijo...que os ligava para sempre.
Marco encostou Milicent à parede, pegando-a ao colo. A rapariga, que parecia agir de uma forma completamente natural, rodeou a cintura de Marco com as suas pernas, sem nunca desgrudar dos lábios dele. Queria conhecer cada pedaço de pele que aqueles lábios tinham...queria ter a certeza que nunca os iria esquecer mesmo que, depois disto, tudo acabasse.

Por momentos Milicent deu por si a contemplar todo o corpo de Marco, antes que pudesse inverter as posições dos dois. Antes que pudesse percorrer todo o tronco de Marco com os seus lábios, sentido o calor que começava a emanar da pele do namorado.

- Milicent...temos de jantar.
- Olha que não sei, não... - Milicent deixou o pescoço de Marco passando para os seus lábios. E, por muito que Marco quisesse que aquela noite não fosse só uma noite de sexo...começaram mais cedo do que o previsto.
Marco levou as suas mãos ao rabo de Milicent, tornando aquele beijo ainda mais fogoso.
Milicent, ao sentir o toque de Marco, percebeu que iria conseguir que ele lhe fizesse a vontade. Apesar de serem os dois a querer que tudo acontecesse.
- Marco...?
- Sim...? - Os dois falavam entre beijos e já com as respirações meio descontroladas.
- Quarto?
- Sim – Marco levantou-se com Milicent no seu colo, a rapariga acabou por pôr os pés no chão e os dois começaram a subir as escadas que davam acesso ao piso superior.
No corredor...o desejo aumentou ainda mais. A loucura tomou posse dos dois e tudo se desenrolou com a maior naturalidade entre os dois. Marco foi o primeiro e o “culpado” de tudo se ter passado. Fez com que as camisolas de Milicent ficassem espalhadas no corredor...e ela acabou por retirar a dele mesmo antes de entrarem no quarto.
Já no quarto, Marco deitou Milicent em cima da sua cama...Milicent olhou o quarto, enquanto Marco retirava mais uma das suas camisolas.
Marco percorreu o corpo de Milicent com beijo, chegando perto da sua orelha trincou-a. E Milicent quis ser ela a provocar.
Trocaram de posições e a rapariga tirou as suas calças retirando, de seguida, as de Marco. Tomou posse do corpo dele...Milicent beijou-o, trincou-o, e Marco estava a desejar cada vez mais ficar no comando. Ele preparava-se para fazer Milicent sair de cima dele, mas a rapariga fez força nas suas pernas, começando a mexer no cabelo de Marco.
- São poucas as pessoas que podem mexer no meu cabelo, sabes isso?
- Sei! - Milicent sentia-se especial. Estava a deixar Marco, visivelmente em êxtase, mesmo que ainda agora tenham começado.
Milicent começava a sentir-se capaz de fazer aquilo porque Marco lhe dava prazer, fazia-a sentir mulher, porque Marco mexia nela como se a conhecesse, como se lhe conhecesse cada pedaço de pele. Marco estava surpreendido, pela naturalidade como as coisas estavam a desenrolar-se, mas Milicent tinha-lhe dado o que à muito ele não tinha: paixão, prazer, desejo...fogo! Milicent era fogo e Marco sabia que tinha aproveitado a deixa de ser só sexo...mas para ele era mais do que isso.

Milicent sentia que nada, do que aquelas suas memórias lhe transmitiam, tinha mudado. Ambos já tinham passado por imensa coisa juntos ao longo de dois anos, já existiram imensos momentos daqueles mas a cada um que passa, Marco consegue fazê-la sentir ainda melhor, ainda mais deseja e mais amada por ele.
Sabia que estava a arriscar demasiado ao entregar-se da forma como estava a fazer a Marco. Mas também sabia que o queria fazer daquela forma, não queria interromper aquele que estava a ser o momento com mais prazer, desejo e amor entre os dois nas últimas horas.

Colocou as mãos de Marco em cima das almofadas, começando a beijar o tronco dele como que devolvendo aos seus lábios o sabor da pele do seu namorado.
Milicent aproveitou para dominar naquele momento. Mais do que: ah e tal fizemos as pazes agora vamos ter sexo, aquele momento era o reencontro de dois corpos separados pelos ciúmes. Aquele momento era despreocupado, de entrega total.
Como sempre, Marco não gosta de se sentir, durante muito tempo, dominado e, por isso, acabou por mudar de posição com Milicent. Retirou as calças do corpo da rapariga, acabando por fazer o mesmo com as suas. Voltou a colocar-se em cima dela, agarrou-lhe nas coxas beijando-a desde a barriga até aos lábios. Marco ia vagueando com as suas mãos pelo corpo da rapariga. Tanto um como o outro sabia o que fazer para se satisfazerem um ao outro.
Quando Milicent começava a sentir-se completamente sem forças (indo apenas nos preliminares) Marco conseguiu fazer com que, interiormente, Milicent se revitalizasse. Com estímulos nas zonas mais sensíveis da rapariga, Marco conseguiu que ela se voltasse a encher de desejo por mais. Milicent percorria as costas de Marco que, quase de certeza, deveriam estar num estado pouco apresentável.
- Marco… - quase num sussurro Milicent conseguiu chamar o namorado – preservativos – Marco deixou de fazer o seu caminho de beijos, parando no ventre de Milicent, olhando-a um pouco atrapalhado.
- Eu sabia que me tinha esquecido de algo em Dortmund… - Marco deixou o seu corpo cair sobre o de Milicent, ficando com a sua cabeça na barriga dela.
- Ei, tu nem penses que eu vou ficar a meio! Nesta casa o que não devem faltar são preservativos! – Marco riu-se do desespero que a voz de Milicent tinha. Olhou-a, subindo o seu corpo até que os seus lábios tocaram os dela.
- Eu não vou ao quarto do Mario buscá-los…
- Nem eu queria…mas, vê se há alguns aqui. E se não houver…não estou no meu período fértil.
- Sabes que isso não é assim…
- Eu sei Marco…vá vê lá antes que…o meu Marco vá abaixo! – Marco riu-se, esticando-se para chegar à mesa-de-cabeceira.
Abriu todas as gavetas e não havia nada. Esticou-se para o outro lado e, na primeira gaveta, encontrou duas bolsinhas cor-de-rosa.
- Preservativos de morango…?
- Antes isso que um filho daqui a nove meses! – Milicent tomou controlo da situação. Agarrou no preservativo colocando-se em cima de Marco – não te esqueças: é o nosso amor.
Milicent tomou as rédeas e toda a intensidade dos movimentos que se seguiram foram a prova que, tanto um como o outro, desejava que aquilo acontecesse mais cedo ou mais tarde. Os dois gemeram, Milicent mordeu Marco no ombro, deixando uma grande marca naquele sitio e Marco viu Milicent deixar escapar uma lágrima mas, no segundo seguinte ouviu um gemido e Milicent dizer, com poucas forças, “Sou tua”.

Aquela terá sido a tarde em que conceberam Marten. Ou, pelo menos, o principio da fase em que tentaram, sem saber, ter um filho. Milicent sentia-se cada vez mais completa e só com Marco é que o conseguia ser.


- Psiu – Milicent sentia-se tão mole que nem sabia se conseguiria abrir os olhos – tenho a minha namorada acordada ou não? – Milicent sorriu, levando as suas mãos às costas de Marco – está acordadinha, está – Marco juntou os seus lábios com os de Milicent por algum tempo, olhando-a de seguida – está na hora de eu ir treinar, gordinha – passou a sua mão pela perna despida de Milicent, fazendo-a rir e abrir os olhos.
- Não vale fazer isso!
- Porquê? – voltou a fazer o mesmo trajeto pela perna de Milicent e ela acabou por puxá-lo para junto dele – hum, ficas com vontade de ter o Marquinho aqui, é?
- Hum-hum…
- Mas não pode ser – Marco deu novamente um beijo à namorada, saindo da cama – vou buscar o bebé mais lindo do mundo?
- Já acordou?
- E já tomou o pequeno-almoço!
- Esmeraste-te em manter-me adormecida…
- Acho que merecias – Marco saiu do quarto e Milicent acabou por se ajeitar na cama.
Não demorou muito até que começasse a ouvir as gargalhadas de Marten. Entraram os dois no quarto e Marco acabou por se sentar na cadeira que havia ao fundo da cama, colocado Marten no chão.
- Mã! – o menino depressa gatinhou pelo quarto, colocando-se em pé ao pé da cama – Mã, pai! – desatou a correr, desta vez para junto de Marco, abraçando-se às pernas do pai. Deitou a cabeça sobre as pernas de Marco.
- Estou feita! Ele é mesmo menino do papá! – os dois riram-se e Marco pegou no telemóvel – não te atrevas, eu não estou em condições!
- Shiu – Milicent depressa levou as mãos aos olhos – és tão tola! Mas ficou linda – Marco pegou em Marten ao colo, levando-o para a cama. Assim que Marten se sentou na cama, começou a gatinhar até Milicent, deitando a sua cabeça sobre o peito da mãe.
- Oh o bebé quer miminho! – começou a dar beijinhos pelas bochechas de Marten que se ria à gargalhada.
- Então eu vou indo – Marten olhou para o pai, dizendo-lhe adeus – ai é xau?
- Xau! Mã é mina – escondeu a cara no peito de Milicent, que piscou o olho a Marco.
- Também é menino da mamã – Marco aproximou-se de Milicent dando-lhe um beijo nos lábios. Deu, também, um beijo na bochecha de Marten, saindo do quarto.
Até chegar ao carro teve tempo, ainda, para publicar a fotografia que tinha tirado a Milicent. 

A dorminhoca mais linda deste mundo!
- O que é que vamos fazer hoje, Marten? – o menino estava sentado em cima da cama, brincando com o telemóvel da mãe – vamos ter de começar a pensar na festa de anos do pai… - Maio tinha chegado depressa demais. Tinha passado uma semana desde que Erik tinha nascido e Maio tinha entrado em força. Marco iria fazer anos no final do mês e Milicent já começava a pensar no que é que poderia fazer para surpreender o namorado.
- Pai.
- Temos de fazer uma festa ao pai – Milicent aproximou-se do filho, beijando-lhe a bochecha – e temos de ir, os dois, fazer qualquer coisa boneco – Milicent levantou-se, pegando em Marten ao colo que levava o telemóvel nas mãos – só te peço que não deixes cair o telemóvel, sim? – Marten riu-se e Milicent começou a descer as escadas.
- Tia Lelene? Num tá – Marten levou uma das suas mãos aos olhos, retirando-a logo de seguida – num tá!
- A tia foi para ao pé do tio, não foi? – assim que chegou à sala, deixou Marten no chão retirando-lhe o telemóvel – vamos telefonar aos tios – Milicent passou com a ponta da camisa pelo ecrã do telemóvel que estava mais babado do que outra coisa, guardando-o na prateleira. Ligou o computador, iniciando logo de seguida uma chamada via skype para Marlene.
Aguardou até que ela atendesse para puder colocar o computador em cima da mesa de centro para que Marten também participasse naquela vídeo chamada.
- Olá meus amores! disse Marlene visivelmente animada e feliz Marten, olá! ia-lhe acenando com a mão estás bom?
- Olha a tia, mor – Milicent agarrou a mão do filho, trazendo-o para a frente do computador – diz olá à tia, diz – Marten acenou-lhe com a mão, aproximando-se do ecrã.
- Bebé?
- Queres ver o bebé, é? Já não gostas da tia?
- Não! Bebé – tanto Milicent como Marlene se riram.
- Foste oficialmente trocada pelo Erik! – acabou por dizer Milicent, sentando Marten nas suas pernas.
- Estou a ver que sim! Vou buscar o bebé, então! Marlene desapareceu da imagem e Marten voltou a aproximar-se do computador.
- Tia Lelene!? Mã, tia Lelene num tá?
- Ela já vem, bebé – beijou as costas do filho, sendo surpreendida pela imagem de Mario do outro lado.
- Cucu! Mario desapareceu por uns instantes, voltando de seguida cucu! voltou a fazer o mesmo por mais duas vezes, fazendo com que Marten se risse à gargalhada coisa boa do tio! Mario parou, ficando a olhar para Marten e Milicent tinhas saudades do tio?
- Não! Bebé! – voltou a responder o mesmo a Mario, fazendo com que Milicent se risse.
- Penso que ele esteja com saudades do primo – acabou por dizer, vendo Mario olhar para o seu lado esquerdo e a imagem de Marlene com Erik ao colo surgiu. Sentou-se ao colo de Mario e os dois ainda ficaram algum tempo a olhar para o filho – não quero interromper o momento fofinho, mas e que tal partilharem?
- Bebé, mã. Bebé, tia Lelena! – Marten fazia gestos com as mãos, como que chamando por Erik – faz ó-ó?
- Agora não, olha respondeu-lhe Marlene, mostrando Erik na imagem vês? Está acordado.
- Pois tá. Adeus – Marten saiu do colo da mãe, indo brincar com os seus brinquedos.
- Cansou-se depressa – disse Milicent, ficando ela a olhar para o sobrinho – que coisinha mais linda. Eu já estou a morrer de saudades vossas!
- Podes sempre vir fazer uma daquelas tuas visitas prolongadas, cunhada atirou Mario, rindo-se de seguidaonde é que anda o teu loirinho?
- Foi treinar. E olhem, temos de combinar qualquer coisa para os anos dele…o que é que vamos fazer? O Marco está quase a fazer anos.
- Que exagerada! Ele só faz anos daqui a duas semanas, não são dois dias.
- Mare…isso passa num instante! – tanto Marlene como Mario se riram – riam-se! É o segundo aniversário dele…o primeiro que passamos juntos estava ele na sua despedida de solteiro! E o segundo…só estivemos juntos de manhã e faz nesse dia 2 anos que nos conhecemos, dois anos que nos apaixonamos…
- Tão romântica que ela está!
- Oh Mario! Não gozes! Ainda não conseguimos ter um dia de anos dele em condições. E, depois das surpresas que vocês todos fizeram para os meus anos, eu quero mesmo surpreendê-lo a ele…
- Ora bem… - Marlene mexia no telemóvelele faz anos num domingo…
- E tem jogo no sábado para a final da taça.
- Que, surpreendentemente, não será contra o Bayern depois daquela afirmação de Marlene, Milicent só se riu.
- Não sei qual é a piada, mas pronto!
- Não fiques chateado, vá. Assim entras de férias mais cedo!
- Tive uma ideia! disse Marlene, olhando para a amiga vais com ele para Berlim por causa da final. Depois pegas nele e vão até Veneza!
- Isso era muito lindo – Veneza seria a cidade que Milicent sempre desejara conhecer e a cidade que Marco também desejava conhecer – mas é complicado. Se eles ganharem…não vai dar para fazer nada de especial naquele dia!
- Esperas que o jogo acabe. E depois logo vês se consegues passagem de avião e estadia para dois disse Mario.
Milicent estava a gostar daquelas ideias, estava a ficar entusiasmada mas, ao mesmo tempo, sabia que poderia ser difícil conseguir fazer tal surpresa a Marco.


- Porque é que não vamos para casa? Eu só quero ir para casa, Mili – iam no avião. Milicent tinha conseguido planear a surpresa para Marco, mesmo que Dortmund tivesse perdido contra o Wolfsburg – onde é que vamos? – até aquele momento, Marco tinha estado sempre com auscultadores e música a dar e a venda nos olhos.
- Tendo em conta que nunca celebramos os teus anos como deve ser…a tua namorada preparou-te uma surpresa.
- Ai sim? Mas não podíamos ir para casa?
- Como é que sabes que não estamos a ir para casa?
- Se estivéssemos a ir para casa tínhamos ido com a equipa. E para me teres vendado e ter ouvido música o caminho todo é porque não vamos para casa, tola – Marco beijou a bochecha de Milicent.
- Eu sei que não deves estar com o melhor dos humores…mas vamos mudar isso, sim?
- Se me disseres onde é que vamos…
- Ah, não! Não sejas assim que não vale – Milicent encostou a cabeça no ombro de Marco – hás-de saber não tarda nada.
- Demora muito tempo?
- Não sejas cusco! Eu vou dormir – claro que Milicent não iria dormir, não ia ter tempo para tal. Dentro de pouco mais de uma hora estariam a aterrar no aeroporto de Veneza.
- O Marten está bem?
- Claro que está. Ficou feliz da vida com os meus pais e a Mary.
- E não quiseste que ele viesse connosco para lhe fazermos um irmão?
- Claro! – os dois riram-se, acabando por ouvir no intercomunicador do avião que demorariam mais cinquenta minutos até chegarem a Veneza.
- Veneza… - Marco olhou-a – esmeraste-te.
- Foi tudo uma questão de consultar os nossos amigos – Milicent beijou o namorado, descansando o resto da viagem.

- Acorda gordo! – Milicent estava sentada em cima do rabo de Marco. Tinham chegado a Veneza já tarde e, depois de uma pequena viagem num pequeno barco, chegaram ao hotel onde iriam ficar. Com vista sobre um dos canais de Veneza e uma garrafa de champanhe à sua espera, os dois tiveram um inicio de noite como há muito desejavam – vá lá, morzinho. Só temos o dia de hoje para aproveitar, Marco!
- Planeasses melhor! Eu tenho sono!
- Ai que lindo! Acordou mal disposto quando faz 26 anos! – Milicent deitou-se sobre o corpo de Marco, dando-lhe um beijo na bochecha – parabéns gordinho, parabéns! – voltou a beijá-lo várias vezes na bochecha, fazendo com que Marco se risse – ah! Vá lá, tive direito a um sorriso!
- Acordaste muito bem-disposta, nossa senhora!
- A noite foi boa – Milicent saiu de cima de Marco, indo pegar numa garrafa de vinho que ali estava também. Abriu-a, servindo um pouco do vinho em dois copos – anda, vamos celebrar – abriu a varanda do quarto, esperando por Marco. Sabia que, só assim ele iria sair do quarto à procura dela.
- Que animação toda é essa?
- Fazes anos, amor – entregou-lhe um dos copos, levando a sua mão até à nuca de Marco. Aproximou-se dele, sentindo a mão livre do namorado ir até ao seu rabo – parabéns, Marco. Espero que sejas muito feliz, por muitos mais anos e sempre com esse sorriso lindo.
- E que tu me acompanhes em todos esses anos – os dois beijaram-se, olhando-se de seguida – vinho logo de manhã, rapariga?
- De manhã é que se começa o dia – piscou-lhe o olho, bebendo um pouco do seu vinho – e estamos em festa! O teu dia de anos é uma festa só para nós!
- Não sei mas…a minha mãe vai cobrar por não estar com ela!
- Fica descansado que ela incentivou para nós virmos – Milicent pegou no telemóvel e chocou com o seu copo no de Marco. Aquele que, para Milicent, seria um dia a festejar tinha acabado de começar da melhor forma. 

Parabéns, meu amor. Que o teu dia se repita por imensos anos e que estejamos assim. Juntos, apaixonados e felizes. Amo-te imenso, Marco.
Milicent voltou a beber um pouco do seu vinho, encostando o seu corpo a Marco. Os dois olhavam para todo aquele ambienta à sua volta, bem agarrados um no outro.
- É, sem dúvida, um dia de aniversário que não esquecerei. Obrigado, Mili.
- De nada – olhou o namorado, reparando que Marco estava com os olhos fechados – fico muito feliz que tenhas gostado.
- Amei, meu amor – Milicent sentiu tudo andar à volta a seu lado, cambaleando ao mesmo tempo. E Marco sentiu isso. Sentiu que, mesmo que ela estivesse agarrada a ele, Milicent estava a perder o equilíbrio – ei, ei, que se passa?
- Hum…é uma tontura.
- Senta aqui – Marco ajudou-a, sentando-a numa cadeira que ali estava. Baixou-se junto a ela, retirando-lhe o copo da mão – então? O que é que sentes?
- Nada. Está tudo muito turvo… - Marco puxou-lhe os cabelos para trás, passando a sua mão pela cara da namorada.
- Vou buscar-te água – Marco foi até ao quarto, voltando de lá com uma garrafa de água – toma – abriu-lha e Milicent bebeu um pouco daquela água – achas que é da tensão?
- Provavelmente…já está a passar – Milicent riu-se – a tua namorada adora um pouco de drama, já devias estar habituado – riram-se os dois e Marco acabou por beijá-la e os dois ficaram por algum tempo ali sentados.
Mesmo que não quisesse demonstrar, Marco estava preocupado. Já não era a primeira vez que isto acontecia. Ainda há dois dias Milicent se tinha sentido mal, ficando cheia de suores frios e tonturas. Marco começava a achar que não seria normal tudo aquilo mas Milicent desculpava tudo aquilo com o stress de estar a procurar trabalho.


- Deixa-te estar aí! – Marco agarrou o telemóvel, fotografando a namorada – estás com um ar tão sofisticado! Eu até diria que és italiana! – disse, aproximando-se da namorada.
- Se calhar fui, noutra vida!
- Está a ser um dia lindo! – ainda não tinham parado um segundo desde a hora do almoço. Passearam imenso pelas ruas de Veneza, até que encontraram um bom sitio para almoçarem. Passearam de gôndola, comeram gelados…Milicent comeu dois gelados e Marco deixou-se ficar apenas por um.
- É pena que já esteja a acabar… - dentro de duas horas já estariam a ir para Dortmund de novo – mas a celebração ainda não fica por aqui – olhou para o namorado piscando-lhe o olho.
- Andaste a tramar alguma! – Marco mostrou-lhe o telemóvel com a publicação que tinha feito.

Não poderia pedir um dia melhor do que o que estou a ter. Tudo graças a ti. Obrigado, meu amor. Por seres a melhor mulher que poderia ter. Amo-te, minha Mili. 
- Quando chegarmos a Dortmund é que a festa vai começar!



Olá meninas! 
Cá está um novo capítulo! Peço desculpa pela demora mas sempre que puder vou trazendo-vos novos capítulos! Espero que gostem. 
Beijinhos, 
Ana Patrícia.  

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